Juiz nega suspender indicação de Zanin ao Supremo
Decisão é do juiz Rolando Spanholo, da Justiça Federal em Brasília
Decisão é do juiz Rolando Spanholo, da Justiça Federal em Brasília
A Justiça Federal
em Brasília decidiu nesta segunda-feira (5) negar pedido feito por deputados de
oposição para barrar o ato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que indicou
o advogado Cristiano Zanin para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF).
A decisão,
proferida pelo juiz Rolando Spanholo, foi motivada por uma ação popular
protocolada pelos deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Alexandre
Ramagem (PL-RJ).
Na petição, os
parlamentares defenderam a anulação do ato por entenderem que Zanin é
"amigo íntimo e advogado particular de Lula", o que feriria os
princípios constitucionais da impessoalidade e moralidade. Antes da indicação,
ele atuou como defensor de Lula nos processos da Operação Lava Jato.
Na decisão, o
magistrado escreveu que a Constituição deu ao presidente da República a
prerrogativa de indicar ministros ao STF e não colocou barreiras para a
indicação.
"E isso em
nada se altera pelo fato de que o presidente da República mantém estreita
relação pessoal e profissional com o advogado Cristiano Zanin Martins. Nosso
sistema constitucional não elenca um rol de impedimentos expressos e confere
grande margem de discricionariedade ao presidente da República", destacou.
Spanholo
acrescentou que Zanin precisa passar por sabatina no Senado para tomar posse no
Supremo.
"Fica claro
que a discricionariedade do presidente da República é limitada ao ato de
indicar. Cabe ao Senado Federal (e somente a ele) reconhecer (ou não) que, de
fato, o advogado Cristiano Zanin Martins atende às exigências constitucionais e
deve mesmo ocupar a vaga de ministro do STF", concluiu.
Na semana passada,
Lula enviou ao Senado mensagem presidencial na qual indicou Cristiano
Zanin para a vaga que foi aberta com a aposentadoria de Ricardo
Lewandowski.
Para tomar posse no
STF, ele precisa passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) do Senado e ter nome aprovado em votação no plenário da Casa.
Zanin tem 47 anos e formou-se em direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) em 1999. É especialista em litígios estratégicos e decisivos, empresariais ou criminais, nacionais e transnacionais.
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